Apesar do tema do cultivo indoor de maconha esteja caminhando a passos pequenos e lentos em caminho a uma normalidade com cursos, eventos, exposições e lojas vendendo toda sorte de produtos de cultivo e de extração, ainda assim, é comum assistir notícias de apreensão representadas como plantas de laboratório ou como uma “supermaconha”.
Um dos motivos para que jornalistas e policiais, e até mesmo outros operadores do Direito, atribuem essa representação se dá pela pesagem do material apreendido. Qualquer operação policial em cultivo indoor por menor que seja, vai resultar em muitos quilos de maconha apreendida. Contudo, quem está familiarizado com o cultivo, sabe que não é tão fácil colher um quilo de maconha.
Pode até parecer piada, mas grande parte da população acredita que o princípio ativo da maconha, os chamados canabinóides sendo o THC e o CBD os mais presentes e mais conhecidos, estão presentes nas folhas, ou seja, fora da bolha canábica, vulgarmente falando, “fuma-se a folha pra ficar chapado”. Porém, a maior concentração está presente nas inflorescências, ou seja, nas flores, nos buds, no camarão.
Após uma operação policial, as plantas são levadas ao instituto de perícias competente para aferição da materialidade e quantidade de droga apreendida, e na realidade, o que se faz é colocar na balança todos os vasos contendo as plantas da maconha, ou o vegetal é cortado na base do solo e levado por inteiro para ser pesado.
Pensando nesse cenário é que os peritos criminais federais Rafael S. Ortiz e Monique dos Reis, e as alunas de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Renata P. Limberguer e Kristiane de C. Mariotti publicaram na Edição número 35, de maio de 2015, da revista Perícia Federal um artigo sobre a perícia da cannabis e chegaram à seguinte conclusão:
Tendo como foco uma estimativa simples, porém inédita, o presente estudo conclui que a partir de matéria vegetal fresca da espécie C. sativa, oriunda do crescimento em estufas por um período de 4,5 até 12 semanas, o rendimento de matéria seca, apta a produzir maconha, fica em torno de 21% da massa fresca inicial. Com esses resultados, espera-se suprir com dados técnico-científicos uma demanda atual, proveniente de uma mudança de perfil nacional do mercado da cannabis, com o advento do crescimento indoor.
O estudo acima foi um pequeno cultivo indoor montado pela Polícia Federal que germinou dezenas de sementes apreendidas de diferentes marcas e variedades. Após a colheita das plantas, a secagem ocorreu em temperatura ambiente e chegou-se a esse valor de 21%, que pra quem cultiva, já bate com o senso comum de que a maconha, na colheita, chega a perder de 20 a 25% do peso de suas inflorescências. Necessário lembrar que o estudo da Polícia Federal considerou os galhos e caules das plantas, que possuem baixos índices de canabinoides se comparados com as flores. E, geralmente nas apreensões, as plantas são pesadas ainda dentro dos vasos. Portanto, é necessário o operador do Direito estar atento aos procedimentos da perícia neste caso específico de apreensão.
A matéria e a revista completa de onde consta a pesquisa está nesse site.
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