Muito se fala no uso recreativo quando o assunto é a maconha. Contudo, as principais drogas recreativas do brasileiro são as lícitas, legais. Aquelas em que se encontram facilmente em qualquer esquina e estão presentes em todos os estabelecimentos de entretenimento, como casa de shows e barzinhos. Estamos falando, principalmente, do álcool.
A FioCruz publicou em novembro de 2024, o relatório final da “Estimação dos custos diretos e indiretos atribuíveis ao consumo do álcool no Brasil”. Trata de um documento elaborado em 38 (trinta e oito) páginas que pode ser acessado AQUI!
Já no primeiro parágrafo do resumo do relatório informa que:
O consumo de álcool é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas não-transmissíveis e gera significativos custos econômicos diretos e indiretos para países e suas populações, considerando despesas de saúde e a perda de produtividade para economias. No Brasil observa-se uma tendência de aumento em ambos o consumo de álcool regular e o abusivo, principalmente entre mulheres, além da introdução do consumo ainda na adolescência.
Antes mesmo de apresentar os dados da pesquisa, o resumo do relatório alerta pras doenças oriundas do consumo abusivo do álcool, o prejuízo à economia nacional, bem como fator determinante como a verdadeira porta de entrada dos jovens ao mundo das drogas.
Todas as mazelas sócio-econômicas que muitos pensam que podem advir com a regulamentação/legalizacao da cannabis, na realidade acontecem com o consumo abusivo e crescente do álcool na sociedade brasileira.
Os números estão aí. Na maioria dos países que legalizaram o consumo adulto da maconha, houve uma diminuição no consumo do álcool. Inclusive, notícia de 2024 no portal G1 informa que pesquisa norte-americana demonstrou pela primeira vez que o consumo diário de maconha superou o consumo diário de álcool naquele país.
Sobre o termo “uso recreativo” o advogado Emílio Figueiredo, no artigo intitulado “Do recreativo ao social: tudo pelo bem-estar” presente na obra “Maconha no Brasil Contemporâneo”, nos brinda com o seguinte:
O termo uso recreativo foi trazido há 70 anos por Howard S. Becker no texto “Tornando-se um usuário de maconha” (BECKER, 1953), ao descrever o usuário de maconha que “lança-se mão da droga ocasionalmente pelo prazer que o usuário encontra nela, um tipo de comportamento relativamente casual em comparação com aquele associado ao uso de drogas que geram dependência”. Embora o uso do termo recreativo tenha acontecido em 1953, não é possível saber quando tal prática começou na cultura humana. No Brasil esse chamado uso recreativo pode ser abordado sob o enfoque cultural, seja pelas práticas das pessoas escravizadas trazidas da África (ADIALA, 2016), ou pelos marinheiros portugueses (BRANDÃO, 2016).
E finaliza o artigo de modo brilhante ao afirmar que “Talvez o termo recreativo passe a imagem de algo dispensável, mesmo sendo o aspecto lúdico de grande importância na dispersão do estresse da vida. Sendo válido que a partir da analogia de outros usos como o tabaco ou álcool possam ser utilizados adjetivos como uso social ou uso adulto para o uso recreativo da maconha. Certo é que independente do adjetivo que o acompanha, o uso dessa planta é milenar e nem mesmo a proibição foi capaz de extingui-lo, muito por conta da conexão de suas substâncias com a mente humana”.
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